domingo, 17 de fevereiro de 2013

Uma noite

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Ele aparentava ter saído de um filme, no canto daquele bar escuro, bebendo sozinho, era impossível ele estar sozinho, contudo estava. E cada gole parecia engolir uma lágrima, uma raiva, uma vontade. A cada olhar, certa flechada de paz meio atormentada. E foram conversas, e beijos e abraços e cigarros. Goles e goles de encanto, toda palavra ou toque me dava um choque. Eu não tinha mais batom, nem vergonha, nem tristeza no olhar. Apenas relâmpagos que ofuscavam meus pensamentos, ai que medo, de ser feliz, de nunca mais sentir aquilo novamente. Que medo de ter sido fantasia, ou de ter sido tão real assim, ao ponto de querê- lo outra vez perto de mim. Nem que fosse naquele bar escuro novamente, tocando Radiohead, para, de longe, ver aqueles olhos verdes flamejando solidão. Mas a gente nunca sabe se vai ser uma noite ou uma vida toda.


2 comentários:

  1. Acho que senti cada palavra como se fosse eu quem estivera à frente a cena..
    Me deliciei!

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  2. own, querida, fico feliz que tenha gostado! (:

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